Consignado CLT e Demissão: o que Acontece com o Empréstimo

Consignado CLT e Demissão: o que Acontece com o Empréstimo

O consignado para trabalhador com carteira assinada (o Crédito do Trabalhador) ficou muito popular porque tem juros menores que o empréstimo pessoal comum. Mas muita gente só descobre o que acontece com ele no pior momento: na demissão. A dívida não desaparece quando o emprego acaba. O que muda é a forma de pagar. Entenda o passo a passo para não ser pego de surpresa.

Mito: “fui demitido, não preciso mais pagar”

Não é verdade. O contrato do empréstimo continua valendo, seja qual for o motivo do fim do emprego. A demissão só muda de onde sai o dinheiro das parcelas.

O que acontece na rescisão

  1. Desconto nas verbas rescisórias. A empresa pode descontar uma parte do valor líquido da rescisão para abater o empréstimo. O limite usado na prática é de até 35% desse valor líquido.
  2. FGTS como garantia (se o contrato prever). Na demissão sem justa causa, o banco pode usar até 10% do saldo do FGTS e até 100% da multa rescisória de 40% para abater ou quitar a dívida.
  3. O que sobrar continua com você. Se ainda restar saldo, as parcelas deixam de ser descontadas em folha e passam a ser pagas direto ao banco, normalmente por boleto ou débito.
Confira seu contrato: as regras de garantia com FGTS dependem do que você assinou. Peça ao banco uma cópia do contrato e um extrato com o saldo devedor atualizado logo depois da demissão.

Exemplo para entender

ItemValor
Saldo devedor do consignadoR$ 6.000
Desconto na rescisão (até 35% de R$ 5.000 líquidos)até R$ 1.750
FGTS usado como garantia (exemplo)R$ 2.000
Saldo que continua para pagar por boletocerca de R$ 2.250

Os números são ilustrativos. O importante é saber que parte da sua rescisão e do seu FGTS pode não chegar inteira na sua mão. Planeje o desemprego contando com isso.

E se eu arrumar outro emprego?

Pelas regras do programa, ao voltar a ter carteira assinada, o desconto pode voltar a ser feito na folha do novo empregador. Fique atento ao holerite dos primeiros meses e confirme com o banco como ficou o contrato.

O que fazer se não der para pagar o boleto

  1. Não ignore o banco. Ligue ou use o app e explique que está desempregado.
  2. Peça pausa ou alongamento. Alguns bancos oferecem carência ou parcelas menores por um período.
  3. Coloque as contas essenciais em primeiro lugar. Moradia, comida, luz e água vêm antes. Veja o que fazer quando não dá para pagar as contas.
  4. Use a rescisão com estratégia. O dinheiro que sobrar precisa durar até a próxima renda.
Atenção: depois que as parcelas saem da folha, os atrasos funcionam como em qualquer empréstimo: juros, multa e risco de nome negativado. Negociar cedo sai sempre mais barato.

Perguntas rápidas

A empresa pode descontar todo o empréstimo da rescisão?

Não. Existe limite sobre o valor líquido da rescisão. O que passar disso continua como dívida a pagar direto ao banco.

Pedi demissão. As regras mudam?

O contrato continua valendo. O uso do FGTS como garantia está ligado à demissão sem justa causa, porque é nela que você saca o fundo e a multa.

Posso quitar antes com desconto?

Sim. Na quitação antecipada, os juros das parcelas futuras devem ser abatidos. Peça o valor de quitação ao banco.

Conclusão

O consignado CLT pode ser um crédito barato enquanto você está empregado, mas ele acompanha você depois da demissão. Saiba quanto ainda deve, entenda o que vai sair da rescisão e do FGTS e negocie o restante antes de atrasar. Informação na hora certa evita que o desemprego vire também uma dívida fora de controle.

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Conteúdo educativo. As condições dependem do seu contrato e das regras do Crédito do Trabalhador vigentes; confirme sempre com o seu banco.

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